Sistema de Numeração

números.jpgEstudos comprovam que os humanos habitam a terra há mais de cem mil anos. Mas o homem primitivo não via o mundo como enxergamos hoje. É que antigamente todas as suas necessidades eram sanadas pela terra. A terra lhes dava tudo, assim não era necessário comprar, vender ou fabricar. Também não era necessário moeda de troca, números e contagens.

 

A vida nômade lhes atendia até o momento em que a natureza começou a se modificar. Regiões quentes passaram a congelar. Lugares frios passaram a arder com o calor e a água encontrada em determinado lugar acabou desembocando em outro. A partir desta metamorfose da terra é que o homem sentiu a necessidade de se instalar em um lugar. Em seu lugar. Aprendeu a plantar, construir casas, fortalezas.

 

Também domesticou animais para retirar deles pele, leite e carne. Aprendeu a “ler” as fases da lua e as estações do ano para melhorar a colheita. Registros confirmam que o primeiro contato com a contagem veio do pastoreio. O pastor controlava o pasto com pedrinhas. Cada pedra representava um animal. Ele soltava o rebanho pela manhã e colocava a quantidade de pedras equivalente ao número de animais dentro de um saco de couro.

 

A tarde, o pastor fazia o processo inverso, retirando uma pedra para cada animal. Assim, se sobrasse uma pedrinha, ele saberia que faltava algum dos seus. Se Faltasse pedras, um novo animal se juntou ao rebanho.

 

Uma prova de que a prática de calcular nasceu deste processo é a própria origem da palavra Cálculo (do latim, calculus, que significa pedra). O tempo foi passando e as necessidades cresciam com elas. Imagine só se o rebanho crescesse a tal ponto em que o pastor precisasse contar e carregar todos os dias cerca de 200 pedras?

 

A partir disso nasceu a numeração escrita, um método mais confiável e prático, já que eles marcavam um traço num pedaço de madeira, ossos ou metal, a quantidade de animais que possuía.

 

Assim, além de pesar muito menos ele também podia guardar facilmente e deixar registrado como num documento. Os talhes impressos na madeira foram usados na Inglaterra como sistema de contagem até o século XVIII. O tempo foi passando e cada povo foi criando seu jeito de se comunicar e contar. Seja com gestos, na escrita ou com sons.


Curiosidades sobe Números

 

  • lapis com interrogação.jpgSe você gosta de mágica, ou de fazer truques de adivinhação com seus amigos, preste atenção nesta dica. Você conhece o número mais mágico de todos?
  • É o 1089, sabe porque? Vamos lá, pegue papel e caneta e siga as instruções.
  • Escolha um número de 3 algarismos distintos. Aqui, usaremos o 123. Agora, escreva este número de trás para frente e subtraia o maior do menor. Assim: 321 – 123 = 198
  • Agora, inverta o resultado da subtração e some com o resultado original. Assim: 891 + 198= 1089 (Voilá, o número mágico!)
  • E antes que hajam protestos e discussões sobre o assunto, acredite.. dá certo mesmo! Desde, que, claro, você escolha um número com 3 algarismos diferentes. Não dará certo com números como 122, 100, 445. Lembre sempre de colocar 3 algarismos diferentes.

 

Aula de matemática

Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você

Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal

Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão

Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

Antônio Carlos Jobim



carta%20florjO quociente e a Incógnita

"Às folhas tantas do livro de matemática,
um quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do ápice à base.
Uma figura ímpar olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo ortogonal, seios esferóides. Fez da sua uma vida paralela a dela até que se encontraram no infinito.
"Quem és tu?" - indagou ele com ânsia radical.
"Eu sou a soma dos quadrados dos catetos,
mas pode me chamar de hipotenusa".
E de falarem descobriram que eram o que, em aritmética,
corresponde a almas irmãs, primos entre-si.
E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento e da paixão retas,
curvas, círculos e linhas senoidais.
Nos jardins da quarta dimensão,
escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do universo finito.
Romperam convenções Newtonianas e Pitagóricas e, enfim,
resolveram se casar, constituir um lar mais que um lar,
uma perpendicular.
Convidaram os padrinhos:
o poliedro e a bissetriz, e fizeram os planos, equações e diagramas para o futuro,
sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos
e foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia.
Foi então que surgiu o máximo divisor comum,
frequentador de círculos concêntricos viciosos,
ofereceu-lhe,
a ela, uma grandeza absoluta e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, quociente percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade.
Era o triângulo tanto chamado amoroso desse problema,
ele era a fração mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser moralidade,
como, aliás, em qualquer Sociedade ..."

Millôr Fernandes



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